Dos verbos de ligação, só permaneça.

24/09/2009 at 5:42 am (Uncategorized)

Então.
Quando não se assossega de modo algum, ainda hão de existir as palavras, os cafés e os cigarros. Madrugada dos semi-vivos.

Não é pra compartilhar, nem educar, é só pra mim – vou me permitir ser egoísta mais uma vez, obrigada.


Não é pra me revelar, nem me acomodar. Nada me acomoda. Escrever é um martírio, sentir é um penar. Não se satisfazer é pesaroso.
E se o diabo do mastercard comprasse a felicidade, eu já teria sido feliz por um dia, só pra reclamar da monotonia no seguinte.

Brinca comigo; que, por mais que eu ria, tudo é muito sério demais.
Tudo é cinza e generalizar sempre está errado.
E eu não peço, não espero e não quero metade;
– tenho uma mania infantil de assustar quem gosto, pra ver até onde iremos, ou o quão louca eu posso transparecer sem que isso prejudique.
Eu me prejudico, pura estima curta e autodestruição.
Pois é corrida contra o tempo, contra mim – até onde eu consigo ir sem destruir tudo; sem desistir?
Explico a “menos valia”: vamos mostrando o pior, o que vier, se torna inexoravelmente menos ruim que o que se mostra.
(Mas eu sei piorar e sei pender pro mal.)
Bebo demais, fumo demais. Muito intransigente, por vezes mandona, autosuficiente, a carência fica no bolso. E sem limites. Pra sempre.
E, Deus!, como eu perdi o romantismo.

“No caminho incerto, achei o que amedronta
para meus mares, rios, estradas, viagens.
Perca-me num sussurro, uma afronta!
É arriscado invadir quem se tem miragem.

Tudo por bem, meu bem, sei demais.
De mim, daí, guardei pelos dias sem sorte.
Posso provar (agora) que sem teus sinais
perdi o fio, rima; vida sem norte.

É que só um cigarro não mata, um passeio fadiga;
um abraço é tão pouco, a hora tão rápida.
A vida fatalista, um beijo não arrebata.

Ou eu que não me contento, não finjo, invento
e sobra um oceano querendo ser dito.
O querer de quem tem, mas agride e fere – porque não falo sentimento.
Sem eternidade, por hoje e amanhã; ‘inda assim, infinito.”


Rigidez de sonetos me limita. E eu prefiro tudo assim, transcendental.

“Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
pensamento sem razão
Procuro esconderijo
encontro um novo abrigo
como a arte do seu jeito
e tudo faz sentido
calma pra contar nos dedos
beijo pra ficar aqui
teto para desabar
você para construir”
(Ana Cañas – Esconderijo)

E Caio, que me faz apaixonar a cada frase: “(…) e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.”

“Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.” –  Sempre visceral, só mesmo Clarice.
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Até que ponto se pode se entregar sem se perder?

15/09/2009 at 6:06 pm (Uncategorized)

Eu gosto da singularidade; tenho medo da necessidade. Abomino a maldade.
Preservo o sorriso, que outrora foi lágrima.
Abandonei o juízo.
O plural me restringe, o fato me assombra.
Pra que sentimentalismo, meu amor?!
A vida é prática, quem pensa em morte ainda vive.
Se a simples existência fosse a razão da felicidade…

O mundo é vasto demais para nós.
Por todos os meus planos, desesperos, enganos,
prefiro não apostar.
Já fui das sortes severas, mas há o que ser perdido.
Não há jogos, só vícios.
Talvez a solidão faça bem em certos momentos.
Em tempos de recessão, eu bebo café (e nos demais)
– porque posso ser egoísta em meio aos argumentos.

Acabamos por perder, mesmo na vitória.
Mas – graças a Deus! – nem todos se preservam e são pessimistas como eu – só alguns.
Há quem aposte, quem pague pra ver!
Enquanto eu espero…
Por já ter tido pressa demais, me permito observar e apreciar as fases da Lua.
No mesmo lugar de antes, hoje, mais do que nunca.

A menina de sempre, que não mais espera o ônibus da escola,
quer que alguém a faça jogar, cubra as apostas.
Ou fale sobre céus de outono – tão mais azuis.
Espera, sorrindo, por histórias de verão.
Aguarda ansiosa por noites de inverno e passeios de primavera.
Todas as estações e com consentimento.
Só companhia, não salvação.

Sem estética e nem poesia,
apenas coisas espalhadas por dentro e por fora.
Nenhuma carta na manga – não hoje.
Sem álcool por tempo determinado.
Explicações e dádivas são para os outros.
Satisfações e abraços para poucos.
Entrega e perda para loucos.


E se você lesse a minha mente, se pudesse, veria um escuro com pontos de luz.
Pra alguém que responde todas as minhas perguntas até nos silêncios, questionamentos verbalizados seriam chocantes.

É que algo acendeu e eu não quero apagar.
E não deixo.

Porque o escuro nunca me assustou, só os feixes luminosos.



“The stars are blazing
like rebel diamonds,
cut out of the sun
when you read my mind.”

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Nevermind the letters.

09/09/2009 at 6:31 pm (Uncategorized)

Um brinde à todas as cartas não entregues!
À todas as canções esquecidas,
ao mais deixado pra menos.
Saúde aos que precisam de amor;
dignidade aos que se perderam nessa busca desenfreada.
Amor pros que só tem e tiveram carinho,
carinho pra quem desperdiçou o amor;
bondade aos sem caráter e escrúpulos,
uma dose de cachaça pra perder a necessidade de interpretar papéis.
 
Todos os planos desfeitos e arrependidos,
às lembranças boas e más, um brinde!
E, por favor, sem clichê, sem romance.
Nada de filosofia ou citações poéticas – nada de rigidez de forma.
Métrica nenhuma, sem rimas, só brindes.
Ao egoísmo, ao medo, às parcelas de culpa, às fugas.
Àquilo tudo que se pode ter e se prefere ausentar, ignorar.
 
À todos que não dão saltos no escuro e nem apostam os sentimentos;
aos que fazem bom uso de toda sorte de drogas para fugir da realidade,
às realidades! Principalmente àquelas que não são como se quer.
Ao que nunca é como se quer, mas há quem insista.
 
Brindemos ao bom gosto literário que nos faz escrever e tragar.
Ao dicionário que nos ensina palavras diariamente,
palavras essas que guardamos.
Quando não nos importamos conosco, com conceitos amplos e transgredimos o mundo.
– Quando o mundo nos devora.
 
Pros momentos em que não há nada a ser perdido, mais uma dose!
Nos dias em que poderíamos transformar tudo por meio de gestos; nas horas que nos arrependemos por não tomar atitude – todas as outras horas.
Pra sempre, brindemos!
Pra nós, por nós e por tudo que poderíamos mudar e transcender.
Pelos momentos nos quais todos nos irritam, inclusive nós mesmos.
Pelas fatalidades irreversíveis e em revés.
Pela sorte.
 
Um brinde final ao ultimato!
Ao momento presente e ao prisma de escolhas que podem nos levar a caminhos jamais trilhados. Sempre sem volta.
À covardia de quem prefere sofrer a atirar.
Ao ontem, mas, e principalmente, ao hoje!
– Nunca ao amanhã!
Assim, aos que precisam de mão amiga, de dias de sol.
Aos que aconselham, aos que pedem e ouvem sugestões.
Aos inconsequentes, irresponsáveis e sem medidas,
– aos que vivem por horas e minutos.
Aos que perdem horas, dias e minutos calculando ações,
– aos ardilosos.
Aos impulsivos, intensos, extravagantes.
 
Um brinde à paz mundial!
 
 
 
[Ouvindo: No Doubt – It’s my life.]
 
 
Aos que não sabem como, aos que tem o que perder, aos que vivem se poupando;
aos sem extremos, sem beirais, sem gritos.
Um brinde ao fim – que vem antes de todo início.
Um brinde e fim.

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